O filme “Doutores da Alegria” resgata a importância do poderoso arquétipo milenar que vem permeando a história da humanidade desde as suas primeiras organizações como sociedade, personificado nas figuras do pajé, do bobo da corte (capaz de dizer as mais duras verdades ao rei sem ser degolado) e do próprio palhaço. Subversivos, esses artistas alteram a ordem padrão das relações sociais, fazendo rir e pensar. Promovendo uma provocação, Wellington Nogueira, fundador da organização, questiona o papel desse arquétipo na sociedade atual, mostrando que seu palco não se restringe ao circo e é cada vez mais necessário, em todos os lugares.
Com sensibilidade e bom humor, o filme transporta o público para o dia-a-dia dos hospitais e capta a transformação nesse ambiente provocada a partir do encontro do palhaço com a criança. Acompanha, ainda, incursões dessa personagem em locais tão díspares como Bolsas de Valores, o Mercado Municipal e fábricas. Destacando a função social da arte, resgata a importância da menor máscara do mundo (o nariz vermelho); e apresenta o raciocínio inusitado desses artistas, capazes de revelar novos aspectos da realidade com sua coragem e irreverência. Graças a essa capacidade de olhar as situações por um outro prisma, conferem nova dimensão a questões inerentes à vida.
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